O que é lixo espacial e por que é considerado um perigo?

21 de dezembro de 2024 Escrito por Quero Mais Tecnologia
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O acúmulo de lixo espacial é um termo que se refere aos detritos que orbitam a Terra e que podem causar sérios riscos para satélites, astronautas e até para o planeta. Este artigo, então, explora em profundidade o conceito, perigos e iniciativas globais para lidar com isso.

O que é lixo espacial?

Lixo espacial, também conhecido como detritos orbitais, é composto por objetos artificiais que foram lançados ao espaço, mas que já não têm utilidade. 

Assim, eles permanecem orbitando o planeta Terra por anos, ou até séculos, dependendo da altitude em que estão, tornando-se uma ameaça constante para atividades espaciais.

Exemplos de lixo espacial

Satélites que atingiram o fim de sua vida útil e não foram removidos da órbita. Bem como, estágios descartados que permanecem no espaço após cumprir sua função de lançar satélites.

Pequenos pedaços resultantes de impactos entre detritos ou explosões de equipamentos. Além disso, objetos deixados por astronautas durante missões espaciais.

Esses detritos podem variar em tamanho, desde partículas minúsculas até partes inteiras de foguetes com metros de comprimento.

Por que o lixo espacial é um perigo?

O lixo espacial é um perigo significativo devido à sua alta velocidade. Objetos em órbita podem viajar a até 28.000 km/h, o que significa que mesmo um pequeno fragmento pode causar danos catastróficos em caso de colisão.

Riscos para satélites ativos

Satélites desempenham funções essenciais, como telecomunicações, previsão do tempo e monitoramento ambiental. A colisão com um detrito, mesmo que pequeno, pode danificar equipamentos críticos, interrompendo serviços que dependem desses sistemas.

Ameaça às missões tripuladas

Astronautas em órbita enfrentam o risco constante de colisões com detritos. Assim, estações espaciais, como a ISS (Estação Espacial Internacional), frequentemente precisam realizar manobras de desvio para evitar impactos. 

Um fragmento pequeno o suficiente para passar despercebido por radares pode perfurar a fuselagem de uma nave.

Efeito Kessler

Proposto pelo cientista Donald Kessler em 1978, o efeito Kessler prevê uma reação em cadeia de colisões, onde cada impacto gera mais fragmentos, aumentando o risco de novos impactos. 

Isso poderia tornar certas órbitas praticamente inutilizáveis, limitando futuras missões espaciais.

Impactos na Terra

Embora a maioria dos detritos que reentram na atmosfera queime devido ao atrito, fragmentos maiores podem atingir o solo. Casos como o de um tanque de combustível de foguete que caiu na Austrália em 1979 mostram que os riscos não são apenas teóricos.

Qual é o cenário atual do lixo espacial?

O problema do lixo espacial tem se agravado com o crescimento das atividades comerciais e governamentais no espaço. Segundo a ESA (Agência Espacial Europeia), existem mais de:

  • 36.500 objetos maiores que 10 cm;
  • 1 milhão de objetos entre 1 e 10 cm;
  • 130 milhões de fragmentos menores que 1 cm.

Com o aumento de constelações de satélites, como a Starlink, que pretende lançar milhares de satélites para cobertura global de internet, o número de detritos pode crescer exponencialmente.

Colisões conhecidas

Em 2009, um satélite da Iridium colidiu com um satélite russo desativado, criando mais de 2.000 fragmentos rastreáveis.

Já em 2021, um fragmento de foguete chinês passou perigosamente perto da ISS, exigindo uma manobra de desvio.

Quais são as soluções para o problema do lixo espacial?

O combate ao lixo espacial exige esforços globais combinados entre governos, empresas privadas e agências espaciais. Portanto, diversas soluções estão sendo exploradas para mitigar os impactos.

Representação artística do espaço com a Terra ao fundo cercada por detritos orbitais e objetos flutuando no cosmos
A remoção de detritos em órbita é uma prioridade para evitar o agravamento do problema.

Tecnologias de remoção ativa

A remoção de detritos em órbita é uma prioridade para evitar o agravamento do problema. Algumas tecnologias promissoras incluem:

  • redes e braços robóticos capazes de capturar detritos maiores e trazê-los para reentrada controlada na atmosfera;
  • satélites limpadores para interceptar e remover lixo, como o ClearSpace-1, que busca capturar restos de foguetes;
  • sistemas de propulsão reversa que desorbitam objetos para queimarem na atmosfera.

Design sustentável de satélites

Projetos modernos incorporam mecanismos para garantir que satélites sejam removidos de órbitas congestionadas ao final de sua vida útil. Isso inclui:

  • desorbitadores: tecnologias que permitem reentradas controladas;
  • satélites autodestrutivos: equipamentos projetados para se desintegrar após o uso.

Regulamentação internacional

A governança do espaço é um desafio complexo, mas essencial. Organizações como as Nações Unidas promovem:

  • diretrizes para evitar a geração de novos detritos durante lançamentos;
  • acordos entre países para desativar equipamentos de forma segura;
  • monitoramento contínuo de objetos em órbita.

Monitoramento contínuo

Redes de radares e telescópios, como o programa de Vigilância Espacial dos EUA, por exemplo, rastreiam detritos em tempo real, ajudando a prever e evitar colisões.

Quais são as iniciativas em andamento?

Empresas como SpaceX, Amazon e OneWeb estão investindo em tecnologias para minimizar o impacto ambiental de suas constelações de satélites. Além disso, startups como a Astroscale estão liderando esforços na remoção de detritos.

Agências espaciais

A NASA desenvolve ferramentas de rastreamento e promove práticas sustentáveis para missões espaciais.

Já a ESA está à frente do projeto ClearSpace-1 e participa ativamente de debates sobre governança global.

A JAXA (Japão) trabalha em tecnologias de captura com ímãs e redes para remover detritos.

O espaço, sendo um recurso compartilhado, requer cooperação global. Governos, empresas privadas e a sociedade devem trabalhar juntos para equilibrar a exploração espacial com a preservação do ambiente orbital. 

Somente assim poderemos garantir que futuras gerações continuem a explorar e se beneficiar do espaço.

O que mais saber sobre o lixo espacial?

Veja, portanto, as perguntas mais comuns sobre o assunto.

O que é considerado lixo espacial?

Ele inclui qualquer objeto artificial em órbita que não esteja mais em uso, como, por exemplo, satélites desativados, restos de foguetes e fragmentos de colisões.

Por que o lixo espacial é perigoso?

Ele pode danificar satélites, bem como, ameaçar a segurança de astronautas e causar reentradas descontroladas na Terra.

O que é o efeito Kessler?

É uma reação em cadeia de colisões entre objetos espaciais, assim, criando mais detritos e tornando algumas órbitas inutilizáveis.

Quais tecnologias estão sendo desenvolvidas para remover lixo espacial?

Entre as soluções estão satélites limpadores, redes, braços robóticos e sistemas de propulsão reversa.

Como os países estão colaborando para reduzir o lixo espacial?

Por meio de acordos internacionais, desenvolvimento de tecnologias de remoção e monitoramento contínuo de detritos.